“A educação visa melhorar a natureza do homem o que nem sempre é aceite pelo interessado”. Não poderia estar mais de acordo com esta citação de Carlos Drummond; até porque, por estes dias, presenciei duas situações tão díspares que comprovaram esta mesma frase.
Estava numa esplanada e um homem chegou com o seu Terranova. Pediu um café e uma água. Pensei que estaria à espera de alguém. Estava enganada. A água era para o cão. Foi educado a beber por uma garrafa e a sentar-se calmamente numa esplanada. Quem passava, olhava para ele e não resistia a acariciá-lo um pouco. Fiquei fascinada com tudo aquilo que se pode ensinar a um cão; mas sobretudo com a capacidade que um animal tem em aprender e absorver determinados conhecimentos.
Por outro lado, também me deparei com uma criança que vinha no metro a falar num tom muito elevado e com um vocabulário que impressionava as pessoas que viajavam nesse meio de transporte. Vinha acompanhado pela avó, pela qual não tinha o mínimo respeito (talvez a senhora nunca se tenha dado ao respeito também…).
Fazia autênticas acrobacias no metro, pendurando-se nos ferros onde as pessoas se seguravam. Todos estavam perplexos com tal atitude e comportamento.
A criança, que não teria mais do que 8 anos, apenas exclamava num tom irónico e abusador: “Está tudo controlado”.
O problema é que não estava mesmo. Acabou por atingir com os seus pés algumas pessoas, tendo um senhor chamado à atenção da sua avó para o facto de o seu neto não se saber conter e controlar junto de pessoas. A avó nem sabia o que dizer. Ordenou que se sentasse, ordem que foi desrespeitada pelo seu neto sem a mínima hesitação. Demonstrou desconhecer termos como “educação” e “respeito”, isto é, a educação não foi aceite pelo interessado.
É inacreditável como um cão consegue estar tão calmo e ser tão bem educado como um humano e um humano não consegue ser ele próprio, revelando ter atitudes de um autêntico animal. Estarão as educações trocadas?
Mariana Ventura Norte