
Para muitas pessoas, esta é, a última (e a talvez a única) forma de viver, onde o imperativo é comprar.
Aprendemos a comprar aquilo de que realmente precisamos, mas acabamos sempre por comprar tudo aquilo que realmente não precisamos. Fomos ensinados a viver com o indispensável, mas vivemos com aquilo que se pode dispensar. Sabemos que não temos muito dinheiro, mas queremos sempre ostentar que o temos. No fundo, quase que vivemos para nos iludirmos, para nos enganarmos, para fugir à realidade e também para sermos aceites num grupo onde a futilidade é o pré-requisito.
Com as nossas atitudes, damos vida a palavras como “aparência”, “falsidade” e “inutilidade”.
Vestimos só roupa de marca (alguns até são escravos da marca X), compramos algo porque os amigos têm e as nossas conversas tornam-se vazias, sem fundamento.
Esquecemos o mais importante. Prestamos atenção ao acessório e a tudo o que é insignificante.
Será que apenas nos interessa a popularidade? Ou será que o mais importante é sermos nós próprios sem adereços? Se seguirmos este caminho da ambição, o que será de nós, no futuro? Seremos felizes? Será que as pessoas que têm esta pobreza mental estão felizes?
No meio de tantas perguntas, importa ressalvar que, a meu ver, este tipo de pobreza é a pior de todas, porque não nasce connosco, mas somos nós que, através das nossas escolhas e das nossas atitudes, a alimentamos e, quando olhamos para trás, vemos que perdemos toda uma vida rica em carinho, afecto e amizade e compreendemos que este tipo de vida poderá não ter retrocesso…
Mariana Ventura Norte